As Decepções...
Em “O Livro dos Espíritos” Allan Kardec formulou
a pergunta 938 da seguinte maneira:
As decepções causadas pela ingratidão não podem endurecer o coração e torná-lo insensível?
Lembremo-nos que a obra citada foi escrita em 1857! De lá para cá a ciência deu um salto incomensurável, as letras avançaram muitíssimo, as religiões se transformaram para melhor obedecendo à lei do progresso e, no entanto a pergunta é atualíssima, mostrando que o homem, apesar de toda evolução pela qual passou a humanidade, ainda pratica a ingratidão.
A resposta que os benfeitores da humanidade deram a Kardec foi a seguinte:
“Seria um erro pensar assim, porque o homem de coração, como dizes, será sempre feliz pelo que praticar. Ele sabe que, se não o reconheceram nesta vida, na outra o farão, e o ingrato sentirá então remorso e vergonha.”
Vendo esta resposta à pergunta 938 de “O Livro dos Espíritos”, lembramo-nos imediatamente do Evangelho de Marcos 4:32, quando Jesus afirma:
“Mas, tendo sido semeado, cresce.”
Se “o homem de coração está sempre feliz pelo que praticar”, a sua felicidade está diretamente ligada à semeadura que está fazendo, porque “tendo sido semeado, cresce” e o homem de coração semeia a justiça, a benevolência, o reconhecimento.
A sementeira indesejável, aquela que leva a decepção ao coração que muitas vezes lhe sorriu com bondade, levará aquele que a semeou a colher, quer queira, quer não, o fruto da sua semeadura.
A justiça da Terra é corruptível, mas, a justiça divina confere a cada um o fruto correspondente ao que semeou.
Portanto, pobre daquele que decepciona alguém, que paga com a ingratidão todo o bem recebido! “Não é ao outro que prejudica ou ofende, é a ele mesmo que fere com os espinhos do que plantou.”
Isaura Hart
Milênio Vip – Ano 8, ed. 59
Março de 2006– Magé, RJ
Coluna Cantinho d'Alma |