BÍBLIA: reflexões sobre sua formação
A Bíblia, como a conhecemos, é um conjunto de obras escritas em hebraico, aramaico e grego, provavelmente entre os séculos XIII antes de Cristo e II depois de Cristo. Ela é considerada sagrada para os seguidores do Cristianismo e do Judaísmo.
A divisão clássica da Bíblia é entre o Antigo Testamento (história do povo judeu e promessa da vinda do Messias) e Novo Testamento, que narra a história da vida de Jesus, seus ensinamentos e os prodígios por Ele efetuados, e ainda o trabalho de divulgação do Evangelho, efetuado por seus discípulos, mais o Apocalipse.
O Cânon. Palavra de origem grega que significa “medida”, “regra”, “norma”, “lista”; portanto, por cânon se entende o conjunto dos livros considerados ou reconhecidos como “ inspirados por Deus ” e que por isso mesmo fazem parte da Bíblia.
Estabelecimento do cânone do Antigo Testamento .
Foi somente no sínodo judaico realizado em Jânmia, pelo ano 90 DC, que se estabeleceu o cânone do Antigo Testamento.
A partir daí, o Velho Testamento ficou restrito aos 39 livros aceitos por judeus e protestantes. Os católicos aceitam outros sete, como veremos.
ANTIGO TESTAMENTO – Os judeus aceitam como sagrados os livros do Antigo Testamento, exceto os livros denominados como Deuterocanônicos, isto é, aqueles que foram incluídos pelos cristãos (Igreja Católica, Apostólica Romana e Igreja Oriental) no antigo Testamento, e que por isso mesmo também não são aceitos pelos nossos irmãos protestantes.
Protocanônicos . São livros que não trazem nenhuma dúvida sobre sua autenticidade.
Deuterocanônicos . São os livros sobre os quais há dúvidas sobre sua autenticidade. São, portanto, apócrifos tanto para os protestantes como para os judeus.
São eles: Baruc, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico (também chamado Sirac, e que não deve ser confundido com Eclesiastes), Carta de Jeremias aos Cativos (que hoje se lê no último capítulo de Baruc), I Livro de Macabeus, II Livro de Macabeus, os capítulos 11 e 16 de “Ester” e ainda os capítulos 13 e 14 de Daniel.
NOVO TESTAMENTO – O Novo Testamento é aceito somente pelos católicos e protestantes e é composto de 27 livros.
Os textos do Antigo e do Novo Testamento foram escritos em línguas diferentes.
O Antigo Testamento foi escrito em Aramaico e Hebraico. O Aramaico está para o Hebraico mais ou menos como o Espanhol está para o Português.
Já o Novo Testamento foi escrito em Aramaico e Grego.
Autores e datas dos livros do Antigo e Novo Testamento .
Há muitas dúvidas sobre os autores dos livros do Antigo Testamento, começando com o chamado Pentateuco, que compreende cinco livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. São atribuídos a Moisés, mas a realidade é que o último relata a vida de Moisés e por ele não poderia ter sido escrito.
O mesmo acontece com vários dos outros livros do Antigo Testamento, cujos autores são presumidos.
A situação se repete em relação ao Novo Testamento. Nada de anormal há nisso, já que antigamente só os escritas, salvo exceções, é que sabiam ler e escrever. Daí dizermos “Evangelho Segundo João”, querendo com isso dizer que era conforme João ensinava, não necessariamente que fora por ele escrito. Até pelo fato de que nos Atos dos Apóstolos encontramos a informação de que Pedro e João “eram homens sem letras e indoutos”. (Atos 4:13).
Também não se sabe qual foi o primeiro Evangelho a ser escrito. Alguns opinam que os primeiros escritos foram de Paulo em 51/52 DC: 1 a e 2 a Epístola aos Tessalonicences. É que Jesus nada escreveu e nada ditou a seus discípulos, mas apareceu depois de sua morte. Como prometeu que voltaria, seus discípulos não registraram, de imediato, o que dissera.
Muitos escreveram sobre a vida de Jesus e Lucas nos dá ciência disso nos primeiros versículos do Evangelho a ele atribuído.
A formação da Bíblia, com o atual número de livros só foi decidida no 4 o Século, aí por volta do ano 380, quando São Jerônimo foi incumbido de traduzir para o Latim aquilo que hoje conhecemos como Bíblia, nascendo então a “Vulgata Latina”.
Como acima escrito, a maior parte dos autores consideram que os primeiros textos escritos foram por Paulo, em 51/51 DC: 1 a e 2 a Epístola aos Tessalonicences. O restante lhe é posterior.
Uma boa fonte de estudos sobre esse fascinante tema é o livro “Cristianismo e Espiritismo” de Léon Denis.
Carlos da Gama Campos
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