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TECNOLOGIA E ESPIRITISMO

Que papel o Espiritismo terá na era digital?

Allan Kardec, na questão 799 de “O Livro dos Espíritos”, pergunta: “De que maneira o espiritismo pode contribuir para o progresso?” E respondem os espíritos: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade ...”

A destruição do materialismo nos remete ao uso correto de tudo aquilo que a indústria moderna, na era digital, nos disponibiliza a cada dia. Absorve-se, com isso, o que se produz de novo sem o consumismo que infelicita e sem as distorções na aplicação da ciência em prol do bem comum. Desta forma, ciência, tecnologia e indústria tornam-se um extraordinário vetor a serviço da humanidade, auxiliando o ser imortal na sua caminhada evolutiva.

Mas a destruição do materialismo não se desenvolve com a mesma velocidade da ciência moderna. Neste campo, tratamos da mudança de paradigmas, de novos comportamentos e de esforços pessoais que independem de máquinas ou de sofisticados sistemas computacionais. Trata-se de reformar o espírito imortal, milenar em sua escalada evolutiva. Se por um lado somos capazes de avançar cientificamente, por outro ainda deixamos muito a desejar em matéria de fraternidade e de amor ao próximo. O “cibernantropo” do século XXI ainda é um ser solitário, infeliz, em busca de si próprio. Vaidoso e egoísta, ainda caminha ao largo da solidariedade que há de unir os povos e os homens como irmãos. Estamos no início da era da regeneração, como nos alertam os espíritos superiores e não temos mais tempo a perder para consolidar nossa reforma interior.

Assim, a Doutrina Espírita, o Consolador Prometido por Jesus, cumpre seu papel ao esclarecer o homem moderno a respeito de suas responsabilidades perante a vida, a si próprio e ao próximo, demonstrando a imortalidade da alma, a comunicabilidade entre os dois planos da vida e a reencarnação. Os objetivos existenciais passam a ser os que importam ao ser imortal, herdeiro da eternidade, distanciando o indivíduo do foco consumista e imediatista da vida moderna, convicto de que os bens materiais estão a serviço do homem e não este a serviço do materialismo que tanto infelicita. A partir da compreensão do valor das conquistas morais e suas conseqüências para a vida eterna, único legado do espírito após a desencarnação, onde somos herdeiros de nossas realizações no campo das conquistas pessoais e coletivas de que tenhamos participado, passaremos a disciplinar nossa disposição consumista e a usufruir das benesses materiais sem excessos, sem desperdícios e sem sofrimento.

Ciência e tecnologia passam a auxiliar o homem moderno na aquisição de novos valores, na aproximação entre pessoas e povos, no auxílio aos menos favorecidos.

O que precisamos vencer e conquistar não é apenas o desafio do mundo digital, da ciência quântica, da conquista material, mas o de incluir os excluídos sociais em um novo modelo que contemple mais solidariedade e amor ao próximo. Só assim, aplicaremos a máxima deixada por Kardec, “Fora da Caridade não há salvação” e vivenciaremos o Evangelho do Cristo, “amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Após tanta revolução científica no passado recentíssimo da humanidade, é hora da revolução interior, do auto-conhecimento e da busca pelo homem de bem que há de construir o mundo novo, crescendo em conhecimento e bondade. Desta forma, a ciência e a tecnologia poderão cumprir sua missão de agentes auxiliares de um futuro melhor ... para todos!

 

Rogerio Müller

 
 
 
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