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Uma Pergunta Inevitável

 

..........Estávamos em uma reunião de estudo, onde abordávamos como viviam os primeiros cristãos, com ativa participação dos presentes, sempre com muitas perguntas, em busca de esclarecimento. O estudo corria normalmente, quando um dos participantes perguntou abruptamente: o que é um Santo? De certa forma a pergunta já era esperada, e parecia inevitável, diante do fato de que recentemente foi canonizado mais um santo, desta vez nascido no Brasil. A resposta não podia ser muito curta, e obviamente exigia algumas considerações. É o que tentaremos responder, em seguida.

..........“Santo” é a palavra usada no Novo Testamento para designar todos que tinham fé e procuravam viver em plenitude os ensinamentos de Jesus. Paulo se refere a esses primeiros cristãos de forma singular, quando os saúda em suas epístolas, como vemos nos textos abaixo: “A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos” ( Rom. 1:7 ); “À igreja de Deus, que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus , chamados santos” ( I Cor. 1:2 ); ou, “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia” ( II Cor. 1:1 ) e ainda “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus. ( Gal. 1:1 ). Vários outros textos existem. Mas, historicamente, o conceito de “santo” era também aplicado àqueles que se tornavam mártires, ainda no Cristianismo Primitivo.

..........Com o passar do tempo o termo passou a designar aqueles que, em virtude de sua excepcional caridade, ou pelas suas realizações em nome da fé, são reconhecidos pela Igreja Católica como merecedores de veneração, e para tanto procede-se a uma investigação buscando saber se há milagres atribuídos ao possível santo, em vida ou depois da morte, fazendo-se hoje cuidadosa verificação, existindo mesmo um processo para chegar-se ou não à canonização. Mas no passado não foi assim, tanto que alguns santos, antes reconhecidos como tal, não mais devem ser venerados, pois não se tem certeza de como de fato ocorreu sua existência.

..........Na oportunidade, depois de uma sucinta explicação, outra pergunta surgiu: “E o que é um um pai-de-santo?”. Pelo que sabemos, o termo “pai-de-santo” se aplica ao Babalorixá, mestre e guia das comunidades que seguem princípios religiosos do Candomblé.

..........Como curiosidade, os protestantes e evangélicos não aceitam a noção de santo e não os têm em seu culto.

..........A Doutrina Espírita, nos termos codificados pelo Sr. Allan Kardec, não tem qualquer relação com “santos” ou mesmo com “pai-de-santo”, embora seus seguidores sejam convidados a respeitar profundamente os princípios religiosos de terceiros. O texto de duas das respostas encontradas em “O Livro dos Espíritos”, obra fundamental do Espiritismo, deixam bem clara a colocação da Doutrina Espírita. São elas:

LE 642. Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?

Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem ”.

LE 982. Será necessário que professemos o Espiritismo e creiamos nas manifestações espíritas, para termos assegurada a nossa sorte na vida futura?

Se assim fosse, seguir-se-ia que estariam deserdados todos os que não crêem, ou que não tiveram ensejo de esclarecer-se o que seria absurdo. Só o bem assegura a sorte futura. Ora, o bem é sempre o bem, qualquer que seja o caminho que a ele conduza ”.

..........Como se percebe de imediato, para os seguidores da Doutrina Espírita não há alternativa nem intervenção de terceiros: é indispensável seguir os ensinamentos morais de Jesus e a prática constante da caridade “como a entendia Jesus”.

 

Carlos da Gama Campos

 
 
 
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